Distopia#04 (Reboot)

Missão 01 – Terça- Feira a tarde. Na frente do Prédio 22

 

Aqui é a X-9. – Disse ela no interruptor da desgastada porta industrial. –  A X-9? você é mulher? – Questionou a voz eletrônica do interruptor. – Sou! O que isso tem haver? – Contestou irritada, abaixo da fina mas incessante chuva.  – Nada… Só quero ver no que isso vai dar…  Aqui está tudo que precisa. –  De um anexo retangular de ferro repleto de tubulações hidráulicas na vertical da porta, que foi claramente soldado após a instalação da mesma, um mecanismo se abre, ejetando para fora a pistola carregada e os dois cartuchos de munição reserva que caem dentro de um compartimento, X-9 rapidamente tratou de guardar os itens de baixo do sobretudo de couro antes que alguém pudesse ver. – E aqui a ficha da replicante. Boa sorte. – No compartimento caiu também um cartão que ela logo pegou. – Contesta meu nome mas quem ejeta armas e munição de uma porta? Vá entender né... – Dizia a si mesma. Nenhum contato pessoal fora feito mediante as instruções, de fato é um mundo de alta tecnologia e pouca empatia, um lugar não muito humano para se viver. Aquele cartão continha as informações do alvo, caminhando pela calçada suja, desviando das pessoas, do seu punho ela aciona a pulseira holográfica, projetando uma tela e teclados virtuais. Inseriu o cartão e as informações básicas apareceram na tela junto de uma foto. – Aqui está nossa amiga, Doris, tem sido vista perto da rua 25, só duas quadras. Hmm… então ela gosta de dar o ar da graça geralmente a tarde? Perfeito!! – Teclando no ar ela contatava Duncan. –  Sei que está aí, mesmo seu status desligado posso saber que está online. – Disse ela. – Agora pare de jogar com seus amigos de doze anos e me responda. – Droga… Esqueço as vezes que você é hacker. E aí, já matou seu replicante?É disso que quero tratar. Estou enviando uns arquivos, quero que pesquise sobre ela, a ficha é muito simples. – Enviou uma copia a ele.  –  Ela é uma replicante?Sim, gênero feminino… gênio…Opa, isso tá ficando interessante.Vê se não demora, estou no meu horário de intervalo e quero “aposentar” ela, pegar minha grana e voltar para o trabalho.Sim senhora, capitã. – Ela nem riu, estava encharcada, com pouca paciência e mal humorada. Andou com as mãos nos bolsos do sobretudo escuro por duas quadras de calçadas úmidas e lixo espalhado, era quase cinco da tarde mas o céu poluído e a chuva jogava os dias em eternas noites artificiais, mesmo com essa dificuldade visual reconheceu o rosto na multidão. – É ELA! –  Subiu em cima de um táxi para ter uma melhor visualização, o taxista ia protestar mas quando viu a pistola sendo sacada de baixo do sobretudo resolveu se calar. Ela destravou a arma, mirou e puxou o gatilho, o projetil acertou um letreiro de neon que se apagou depois do tiro, que também alarmou a multidão gerando tumulto e muito caos. – Merda, errei! – Praguejou, X-9 enquanto Doris olhou na direção do disparo, os estilhaços do neon cortaram a lateral direita do seu rosto que sangrava em grande profusão. X-9 deu outro tiro que parou na parede pichada atrás de 5c8a7a3ba5843e07ba722fff9b0bce0dDoris, esta  correu em meio a tumultuada multidão e se dispersou. A atiradora deu um salto do teto do táxi para a calçada, correndo entre gritos de histeria, precisava ser rápida antes que a policia chegasse. Os pingos de sangue no asfalto deixaram o rastro vermelho de Doris. – Então você sangra, sua desgraçada… – Concluiu seguindo o 4bb76c14dc0908a67af55ef2e584a148rastro até um beco estreito com mais luminosos, prostitutas e clientes, um lugar muito claro e movimentado para se esconder, então ela foi até o fim desde que desembocava em uma outra avenida. Cruzando a rua estava sua caça, ela corre, uma senhora vê á sua frente uma uma mulher  usando uma capa de chuva transparente correndo em sua direção. Ela se desvia do caminho e percebe que a mulher de cabelos rosa pink e visor luminoso está sendo seguida por uma moça portando uma arma. A moça armada atira, a senhora se joga no chão para se proteger enquanto a replicante abre caminho por uma janela de vidro, e depois outra, entrando em um prédio branco. Quando a atiradora chega perto o concreto do chão está cercado por vidro quebrado e sangue. A senhora que havia se jogado ao chão aproveita o intervalo dos tiro e foge. – Não… aqui… – Quebrando com a arma os cacos de vidro ainda preso na moldura da vidraça X-9 entra, falando a si mesma novamente. – Por favor…. aqui não… – O lugar se trata de uma escola, e pelo horário estava em funcionamento, embora não fosse isso que mais alarmava a jovem, e sim o fato de conhecia esta instituição. Caminhou em um ambiente calmo e organizado, a escola é tão boa que reúne estudantes da pré-escola, ensino fundamental e ensino médio, sem nenhum problema. Tudo em conta das rigorosas regras impostas pela direção e das dezenas de seguranças espalhados em cada canto. Assim como ela soube um dia, os alunos e seus pais tem consciência de que, qualquer descumprimento das normas acarretará em sua expulsão e uma multa salgada. A escola é ampla, possui um imenso prédio branco asséptico envidraçado, que abriga em cada andar uma série escolar. Os alunos usam computadores e cada um tem o seu próprio tablet. Os professores usam hologramas no lugar da lousa. O colégio de primeira linha nem parecia pertencer aquela cidade. X-9 ganhou a alguns anos atrás uma bolsa de estudos depois que uma megacorporação selecionou um grupo de crianças do orfanato onde vivia, lembrava destes dias da sua infância ao mesmo tempo que deitava os olhos sobre o rastro escarlate impresso na imensidão branca do piso do saguão, as memórias brincavam com suas emoções.

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