Distopia#02 (Reboot)

Naquela noite  Duncan e Sasha ouviram uma forte batida na porta, abrindo a porta a amiga entrou na casa como uma tormenta. – Eles invadiram meu apartamento!! – Alarmada Sasha tentou entender – Calma! Eles quem? – Atropelando as palavras a garota tentou explicar .- O dono da Noir Neon e seus seguranças! Disseram que eu bati na Melanie, fraturei os ossos do rosto e clavícula, depois a joguei num mesa cheia de gente! Todo mundo que estava na boate fugiu com medo! Alguns até sem pagar. Porque vocês não me falaram isso? – Duncan se aproximou. – Olha… a gente não viu nada disso, bebemos tanto quanto você. Lembra quando falamos do seu estado deplorável? Depois que vimos conversando com o seu ex… digo, o namorado da Melanie…  anhn… quero dizer, o PeeBoy, te encontramos na rua, atirada na calçada vomitando Isso mesmo. – Sasha concordou. – Quase chorando a garota se desesperava. – Agora eles estão dizendo que tenho de pagar  120 mil créditos! Não consigo isso em um ano de trabalho… E  me deram uma semana!!!Calma… Dizia Sasha novamente. – Calma? Eles me ameaçaram!! Eles sabem onde moro!!!Vamos tentar ajudar você… Não sei como, mas vamos, né Duncan? – Do outro lado com os braços cruzados o francês fazia sinal de positivo com a cabeça. – Eu… – Escorriam as primeiras lágrimas. – … não tenho parentes… e vocês são as únicas pessoas que posso contar… – Sasha a abraçou forte confortando. – A gente te ajuda. Mas acho que nem vai precisar, Segunda-Feira você vai detonar apresentando seu projeto na empresa e ganhará a promoção, vai pagar essa divida. – O desespero acalmava um pouco apesar do choro soluçado. Duncan naquele momento pareceu mais maduro. – Sasha, ela tá assustada e cansada, que tal ela dormir uns dias aqui?É… eu estou com medo de voltar pra meu apartamento… – Sasha não conseguia afastar o pensamento de que dono da Noir Neon pudesse a ter seguido até ali. Lidando muito com o submundo ela sabe o quanto este homem é perigoso. Se ele fez isso então o namorado e ela já estavam envolvido, mesmo assim  ainda confortando a amiga com o abraço concordou em sinal positivo com o rosto.

Domingo

 

O dia serviu para ela repassar os dados do seu projeto para apresentar no outro dia. A companhia dos amigos a deixou mais calma e segura também. Eles a ajudaram a organizar tudo para o outro dia.

 

Segunda-Feira

 

3349319_l5A manhã chegava como todas as demais, o sol tentava empurrar seus raios contra a barreira espessa de gás, nuvens e poluição, concedendo um pano de fundo semi alaranjado com uma chuva fina da mesma cor, naquela hora os funcionários da K’Dore. Inc. apresentavam seus projetos. Era a vez da garota, posta como um soldado em guarda a frente do grande James K’Dore esperando por sua aprovação, ou reprovação, dependendo do caso, ela tentava ler em seu rosto alguma reação, o homem olhava os slides holográficos que sua moderna mesa projetava, gerando uma imagem em Trídeo (um arquivo de imagem sucessor do 3D que projeta imagens holográficas sem necessidade de um monitor) de pastas e arquivos sem a necessidade de um monitor, estava tão centrado que não demostrava sinal algum de emoção. Com os cotovelos apoiados a mesa, as mãos  contra o queixo, uma barra de gelo era mais humana do que aquilo. Os longos minutos eram intermináveis, parecia estar na sala desde seu nascimento. A imensidão do lugar também não ajudava, um andar inteiro quase vazio, onde não haviam cadeiras de espera, somente com um tapete cinza que ia da porta de entrada até a frente da mesa do chefe, alguns logotipos da empresa brilhantes flutuando holograficamente pelas paredes escuras de mármore marrom, e quatro armaduras medievais espalhadas nos respectivos quatro quantos da sala, um computador na região direita e outro na esquerda. O castelo do Drácula parecia  mais alegre e cheio de vida do que aquele lugar. Nem mesmo a grande janela em forma de arco ás costas da poltrona de James K’Dore conseguiam iluminar o ambiente por completo. As duas grandes estatuas segurando globos causavam um estranho incomodo  e inquietude. Nada no ambiente era simpáticoFRWayneCorp1 especialmente James.  – Senhorita. –  A voz quebradiça e rouca quebrou o silêncio. –  Os recursos que temos aqui não… são o suficiente para nossa empresa.  Infelizmente seu software não será um dos selecionados por nossa companhia. Agradeço sua colaboração e o tempo em que empregou neste projeto. – De cabeça baixa respondeu sem olhar, selecionando na mesa  o Trivid (o dispositivo que projeta as imagens de arquivo Trídeo) funcionário a ser chamado para mostrar o projeto. –  Agora por favor, volte ao seu posto. – Disse assim, secamente sem mostrar pena, gratidão ou compaixão, ainda de cabeça baixa, estendendo a mão á frente indicando a saída. Ela se ergueu da cadeira dando as costas ao patrão suspirando pesadamente, mas parou por um segundo frente a porta e virou-se para encarar o velho, com olhar irritadiço antes de sair.

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