Distopia – EP. #01 – A invasão.

O rumor ganhou força, e houve quem se interessou. Não demorou para o segundo boato tomar as ruas, este em forma de ordem. Os interessados estavam convocados a reunirem-se nos fundos do restaurante chinês Xīwàng a meia noite no dia vinte. Houve quem fosse cético: ninguém sabia de onde vinha á convocação.
A data chegou, nem a chuva quente foi o bastante para impedir a aglomeração no restaurante. Sob as fortes luzes de ideogramas orientais de néon os recrutas alinhados esperaram, só não sabiam exatamente o que.

Uma destas novatas é X-9, mais uma jovem rica que por falta de opções se viu obrigada a se voluntariar em uma gangue.
Quando o relâmpago rasga o céu, a silhueta de voz rouca surge. – Nossa causa é nobre, e gosto de seriedade. Não é uma distração de final semana ou um passeio no parque! Para quem pensar assim, digo, está convidado a se retirar. Mais um detalhe: trabalharemos com equipamentos caros, quem não for bem nascido ou não tiver uma boa noção hacker está dispensado! – Olhares desconfiados e mais da metade dos recrutas deixam o estacionamento. – Aos que ficaram, não comemorem ainda. Vocês tem seis dias para me impressionar. Como? Isso é com vocês! Os vejo dentro de uma semana, aqui, na mesma hora.
Durante os dias seguintes o volume de vandalismo virtual aumentou consideravelmente, mas nada de muito agravante. O que realmente chamou a atenção foi o que aconteceu no dia 25, faltando quinze minutos para a meia noite; um vídeo estranho foi posto no lugar da programação local.
A figura de moicano surgiu na tela, pulando pra cima e pra baixo, com uma máscara de vinil branca fantasmagórica que lhe cobria todo o busto e uma expressão congelada no rosto.

Frames do rosto mudam a cada meio segundo acompanhados de ruídos perturbadores – nem imagens e nem fala fazem sentido.
Aquilo durou no máximo três minutos. Em casa ou pelos slides virtuais projetadas nas vidraças das ruas, quem assistiu relatou sentir náuseas, alucinações, dores de cabeça; além da sensação de estar sendo observado. Finalmente a frequência do uplink mudou e a imagem voltou para o estúdio.
…Mas com um xis e um nove no centro da tela.

#Cyberpunk

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