Aurora

O vácuo do espaço me abraça sobre o traje espacial, mas a pressurização separa seus dedos gelados do meu corpo. Sempre desejei conhecer o mistério que se esconde atrás deste tapete preto e cheio de furos por onde escapam sua cálida e distante luz.
Como eu desejo esse infinito em mim.
Vejo a luz chegando cada vez mais perto.
Que esse calor me banhe. Sim…

– Brent! Brent, o que você está fazendo… Controle, o traje de Brent está… Ele está removendo o… Não! Não! Não!

– Me leve…

#Wilbur D.

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Distopia — Ato IV — Uma pequena vitória

Escutei disparos, o som me colocou em alerta, despertando da minha semi inconsciência. Sabia que ela tinha caído, seria impossível estar no mesmo nível do terraço para disparar na minha direção de forma tão rápida e frontalmente. Me deparando com tanta dor que até mesmo me manter em pé era uma batalha árdua, dor pulsando por todo corpo  MALDITO CHOQUE   Demorei para me recuperar do estranho curto circuito que sofri, ele feriu meus  músculos  e meu orgulho, remoí aquele momento por mais tempo que gostaria, até ser capaz de superar o acontecido, me agachei observando ao meu redor, notei de onde vinham os tiros, pela primeira vez estava ferrado literalmente. De repente escutei um barulho estranho e pesado, não era comum, água? Sim, era água. Olhei para trás e notei um grande reservatório furado e bem danificado por causa dos disparos, ele não suportou  a pressão da água e cedeu estourando com extrema violência. A explosão ecoou, litros de água são uma força devastadora, nada resiste  e seu avanço é implacável, as ondas torrenciais vindas de todas direções convergem para  onde estou.

A torrente diluvial surgiu impetuosa em todas as direções, num lapso de memória lembrei por onde tinha subido até ali, não daria tempo para descer, mas poderia me agarrar neste detalhe, assim corri o mais rápido que pude, no desespero crescente,  mesmo sentido as dores e o pavor dos sangrentos que os tiros ssdeixaram, somente a angustia da minha incapacidade encheu o peito, me desgastando. As manchas vermelhas deixadas para trás insistiam em lembrar minha limitação física.

Antes que a força da água pudesse me jogar longe, cai na escadaria lateral do prédio que dava acesso ao terraço, evitava ser lançado pela correnteza, porém aquela escadaria era velha demais e estava enferrujada, ela cedeu em uma das bases devido ao meu peso e inclinou, despenquei mais alguns metros caindo em cima de uma caçamba velha de lixo, girando e atingindo o solo sujo e molhado de outro beco na sequência. Minha armadura hi tech negra apesar de desativada estava quase intacta se não fosse  alguns arranhões e  furos de balas, já minha máscara que simula a aparência de um louva-deus, estava danificada cobrindo só metade do rosto exposto, o visor carmesim estilhaçado. Lavado pelas gotas que despencavam do alto a água levava embora o sangue da face e das feridas dos projeteis, jogado na calçada como uma peça quebrada disparei o olhar para o céu chuvoso.

A visão ficou turva.

Ficou difícil puxar o ar. Quebrei alguma costela… Pernas, um braço… Talvez um órgão deslocado…

Não deu para pronunciar algo, estava derrotado.

Não estava mais em condições, à batalha estava perdida.

 

 

 

 

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“(…) Foi quando perdi meu rumo é que tudo passou a fazer sentido...”

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Só pensando com mais frieza percebi que aquilo não foi desastroso, por um minuto inteiro me mantive imóvel incrédula do que havia acontecido, foi a primeira coisa que deu certo a noite inteira, e nem foi planejado!  Com uma curiosidade quase infantil  me dirigi até o parapeito do prédio inclinando o corpo para frente afim de assistir melhor a cena. Na olhadela vislumbrei o fracasso dele em um entulho de lixo e um sorriso estampou meus lábios. Euforia foi pouco para definir o que senti. Saboreei de longe por alguns minutos, curtindo a vitória, derrubei um homem treinado sem usar de toda minha capacidade, imagine o que poderei fazer quando dominar por completo todas funções dos implantes cibernéticos? Essas habilidades são incríveis! A excitação percorre cada uma de minhas fibras. Mas a vida, como na maioria das vezes não oferece as coisas de mãos beijadas para mim, meus movimentos ainda não fluíam perfeitamente bem, nem como ordenei na hora. Demorei muito tempo da ponta do parapeito até a porta de acesso a saída o terraço, mais tempo ainda gastei atravessando os corredores e descendo escadarias.

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Analisando minha vitoria agora de uma maneira bem mais analítica quando a euforia passou, vi como eu me arrastava apoiada pelas portas do andar inteiro, conclui que nunca  teria vencido alguém assim em condições tão debeis. Os méritos não foram totalmente meus, desta vez não dependi muito dos movimentos, mas sim das pistolas –  graças a Deus, encontrei elas nos bolsos do casaco de alguém  –  e tive uma “pequena” ajuda da caixa d’água, mas nem sempre será assim. Todavia aquilo não me frustrou, mas abriu minha mente, eu precisava melhorar, E VOU MELHORAR!!!  Caso contrario não viverei muito nesse ramo. Agradeci pela sorte do acaso, evidentemente, e me coloquei de volta ao meu lugar. O caminho de  corredores longos e infinitas portas de aparatamento em passos lentos foi tortuoso e dolorido, tudo estalava ou fazia um barulho  estranho. Finalmente  atingia o térreo e encontrando-me de frente ao lobby de saída empurrei com as extremidades dos canos das pistolas o metal desgastado da truculenta porta enferrujada que rangeu feito um lamento. Nenhum sinal de Roy, que bom, ele havia de fato seguido minha sugestão. Também não havia sinal de nenhuma outra pessoa além de mim, em noites assim, de tiros e muita violência   – o que não é raro  – os residentes fortalecem a segurança trancafiando-se em seus apartamentos, não colocam nem a ponta do nariz para fora. De maneira poética na rua o vento uivava ao silêncio espectral do final da madrugada e a tempestade encharcava ainda mais o sobretudo tonando-o pesado.

Empunhando o par de armas para frente, fui lentamente  até o o centro da “piscina” de água não escoada pela sujeira da rua e lá estava ele, meu agressor. Não esboçou nenhuma reação quando me aproximei , toda cautela era pouca, cutuquei o peito com a pistola esquerda duas vezes, não respondeu, estava inerte.

—— Hmmm…  Parece um tanto calado para quem pretendia fazer um interrogatório. Agora é você quem vai responder algumas perguntas, claro… Quando acordar… – Cutucou outra vez, sempre usando as pistolas.

Não tripudiei em cima dele, não havia razão, o homem estava completamente vencido. Inspirei fundo, relaxando, foi o primeiro respiro tranquilo da noite. Ajeitei o moicano molhado contra a chuva me perguntando mentalmente qual seria o destino desse cara depois de interrogá-lo. Lembrei-me de que no banco de trás do carro que Drone usou para me trazer aqui tinha algumas cordas e fitas, poderia deixá-lo amarrado em um poste apodrecendo até ser recolhido pela policia. Mas então lembro que as prisões estão lotadas e o judiciário entupido de processos. Amordaço amarrando bem o cara e jogo no porta malas, é, vai ser isso. Estranhamente arrasto um corpo de armadura e com mais de noventa quilos facilmente. Coloco o cadáver de Drone no banco de trás e dirijo por ai, aproveitando o caminho pra pensar o que faço com esses dois…

Fim do Capítulo I.

Distopia — Ato III — Instinto de sobrevivência

 —— Tsc.

Ignorei a garota, não fazia sentido rebater sua indagação. Minhas perguntas ficaram sem respostas, era óbvio, depois de Drone, não esperava gentilezas. A escadaria metálica tremeu em uma agonia abstrata, e em seguida houve uma interferência “estática” no Toogle visor que bagunçou o visor e as informações sobre o alvo. Então a luz de alerta ascendeu!  O que estava acontecendo Indaguei em pensamento. Toda estrutura atômica e molecular da armadura foi abalada por uma força invisível, nanômetro por nanômetro reagiram como vespas furiosas, parecia que a armadura de nanosuit estava rejeitando seu dono como ímã de similar polaridade. Minha postura com o arco se manteve fiel, pois a interferência magnética no mesmo existia, porém diferente da armadura, eu o segurava firme.

—— Magnetismo… – Pensei em voz alta.

Deduzia pelo modo como a estrutura da escada e o toogle visor reagiram ao fenômeno, à dimensão do efeito disso na armadura foi revelada quando o visor ficou permanentemente danificado e as fibras de nano máquina começaram a se desfigurar, parte por parte. A armadura não era simples como os robôs fabricados pelas megacorporações, estava mais para um traje constituído por três partes de cor escura como a noite cabeça, tronco e pernas  do que simples “peças e parafusos” agrupados. Naquele momento eu percebi a fraqueza do traje, e reconheci que minha vida poderia estar em jogo.  Maldição!  A situação se configurou mais perigosa do que pude planejar. Eu não pensei muito, apenas reagi.

Mudei o laser de posição e mirei na lateral da estrutura do prédio clandestino, cerca de um metro e meio de distância da jovem de moicano. Disparei. Cem metros por segundo foram percorrido em uma piscadela. A seta fixou no reboque. Eu tinha um plano. A seta saiu do raio de ação do magnetismo, procurei ser meticuloso neste aspecto, seria vergonhoso um soldado altamente treinado não conseguir esta proeza. Todavia  armadura estava inutilizável e vulnerável, era um fato! os projeteis me acertaram.

O primeiro acertou o ombro e atravessou que nem papel, felizmente o tiro acertou só músculo e triscou a clavícula direita; o segundo foi mais sério, pegou perto do apêndice; o terceiro e o quarto foram de raspão, um pegou na lateral do capacete e o outro no braço esquerdo. Após alguns segundos a seta que estava fixada no reboque explodiu, era uma super-thermite que sempre esteve de prontidão no arco, seria usada primariamente para capturá-la sem “matar”, mas tive que mudar de planos devido às eventualidades. A explosão não tinha mais por objetivo causar dano, mas sim, uma forma de desarticulação para cessar a interferência magnética e os disparos restantes Pedaços de concreto, poeira, e sujeira voaram para todos os lados, e seus efeitos apenas mexeriam com os instintos primitivos de sobrevivência da jovem, trabalhando seus reflexos involuntários de proteção a fatores externos, como um susto a explosão. Este foi o momento que usei para saltar da escada, e me afastar, meu contato com o solo foi brusco senti dores devido aos ferimentos das balas, principalmente na região perto do apêndice.

—— Nnnnghh! – A dor era intensa.

Não tinha tempo para sofrer, saquei rapidamente uma nova seta, e flexionei o arco com precisão fria e calculista. – O ombro lesionado latejou. Segundos dentro da distração, era a brecha que precisava para voltar ao jogo. O novo disparo ocorreu. Uma seta de descarga elétrica de alta tensão  Electric Arrow  se fixou no chão molhado próximo a garota, cerca de um metro. Eletricidade e chuva. Combinação perfeita! A seta dispersou a descarga elétrica de alta tensão que se propagou pelo chão molhado como um raio em torno da jovem, fato potencializado pelas poças, chuva e o corpo molhado do alvo que serviria como um dos condutores. Ela parecia lerda demais, não respondendo de imediato, as pernas se movia com certa debilidade, uma operação teria esse efeito? Não sei dizer,  mas tendo em vista que ela saiu pela da porta da clinica a causa deve ser essa.  Sem templo de planejamento optou por uma evasiva desesperada; correr para o lado inverso movendo-se abruptamente, aquilo foi o fim do confronto, envolvida por raios azuis os pés molhados distribuíram a corrente faiscante ao longo do seu corpo. Eletrocutada tentou gritar, mas o ar se embolorou dentro dos pulmões e sua voz em tom seco ecoou pelo beco.

—— ELETRO-MAGNETISMO? 

Aquilo não significava nada para mim, apenas me limitei a observar o choque causando movimentos involuntários, contorcendo-a como o cadáver do colega, a diferença é que sentindo dor, até que não suportou e tombou ao chão sem consciência numa poça de água. Fora Iludida pelo poder, pela chance de vingança.

 “A emoção é a melhor arma contra a razão. Alguém me disse. Era o caso?

Suas palavras em exclamação e inconformismo não me surpreenderam, de fato eu era um monstro.  Afinal neste mundo há inocentes? Talvez essa fosse nossa principal diferença; Eu reconhecia o monstro dentro de mim.  Entre as singularidades dos fatos, o corpo esguio era bastante pesado para alguém do seu porte. Estando a mercê do destino e da minha benevolência não me importei de perder meia hora tentando reconectar os componentes do traje que concedem força sobre-humana, foi a única coisa que consegui trazer de volta  quanto a funcionalidade da armadura, não importava, era só o que precisava naquele momento. Ergui a jovem desfalecida nos braços e carreguei seu corpo agora sem dificuldade para um edifício abandonado vandalizado com pichações e marcas territoriais de gangues   que não é difícil de se encontrar em Zavist com sua vizinhança marginal e decrepita  – No terraço de um dos prédios daquele submundo, o beco não era mais uma opção, o jogo continuaria, só mais brutal.

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Eu vi uma luz forte, azul, ela era linda, mas mortal, se propagou tão rápida, tanto quanto logo se apagou. Depois surgiu o silêncio, trevas e medo. Sempre ouvi dizer que as pessoas eram levadas desse mundo por outra luz, uma branca. Por que ela me foi negada?

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Tantas coisas passando por sua cabeça, entretanto o que vem a mente é um “danou-se”, tudo por não saber ignorar, não saber dar a outra face, danou-se por não levar desaforo para casa, por achar que valia a pena lutar ao que chama de honra.  É claro que X-9 poderia ter deixado o assassino para a policia e o problema era da justiça… Mas neste lugar a lei não chega. Talvez tenha sido burrice ter feito o que fez, mas era tarde para arrependimentos, não havia outra escolha além de encarar o inimigo. Se estava morta naquele momento, como conseguia articular estes pensamentos? Talvez a morte fosse isso, confusão, mais uma vez pensou.

suspensaMas para sua surpresa ainda não fazia parte do mundo dos mortos, no entanto a situação não era muito melhor, reabriu as pálpebras pesadas sob a chuva e notou  estar a beirada de um terraço suspensa apenas pela mão com o valentão apertando feito uma prensa os dedos envolta do seu pulso. Não restou dúvidas de que fora levada para uma rodada de interrogatório e a tática do terror psicológico seria a principal ferramenta. Olhou para baixo e certificou, uma queda daquela altura tinha poucas chances de sobrevivência.  – Pisquei algumas vezes tentando entender, a neblina e a tempestade me impossibilitavam de ter alguma visualização, e apesar de faltar menos de uma hora para amanhecer a escuridão ainda era densa. Por alguma razão ele não me matou… Eu sei porque, a informação deve ser muito importante. O que será que tinha naquelas pastas ? Bom… Acho que se eu ficar de bico fechado isso me mantem viva por um tempo? Vamos ver…  – O precipício urbano a esperava de braços abertos, ela adiantou-se antes que fosse questionada, abrindo dialogo prorrogaria sua existência dependendo das respostas. Precisava transparecer assustada, não necessitou esforço, estava de fato com muito medo de cair.

—— Você quer saber sobre os caras com máscaras de palhaços, eu também!  Não eram para estarem lá, mais pessoas querem os arquivos, a prova viva é você. Mas eu não sei o que tinha naquelas pastas, a gente só faz o serviço, não pergunta. – Disse com o rosto erguido para cima, olhando o outro que lhe mantinha suspensa pelo pulso.

O charme era manter ele preso no interesse.  – Antes de ser atingida eu me lembro de erguer  das lentes os meus implantes oculares algum tipo de informação que no desespero li em voz alta; Eletro-magnetismo… – Foi então que venho a atitude desesperada, seu implante neural de manipulação de sinais tomou automaticamente a dianteira ativando-se com a recordação da mensagem em suas sinapses e o comando respondeu de imediato naquele momento. Envolvida por uma aura azul canalizou toda a corrente elétrica que passou por seu corpo reluzindo sua pele e despejando em forma de uma intensa  luz forte. A capacidade de modificar ou interagir com correntes elétricas  que seu implante neural  possui armazenou energia  do choque  como uma bateria humana ao receber a carga momentos atrás lá embaixo no beco.

—— Quanto a dar o nome do nosso contratante sinto muito! Não entregamos os clientes! 

Devolvendo o presente a corrente elétrica passou pelo corpo do homem que gritou, o choque fez ele soltar o pulso e ser arremessado a longos quatro metros, bem atordoado. A única falha do plano era a gravidade. Mas estava ciente e levou as mãos em desespero a beirada do parapeito do terraço, evidentemente em vão. Os dedos escorregaram pela pedra úmida da fachada, peso extra das articulações de metal também contribuiu para a queda. Restou gritar de temor diante a atitude impensada, mau planejada e pessimamente executada.

—— AAAAAAAAAAHHHHH!!!!!!!!!! – Gritou tomada pelo pânico.

Se por um lado caiu, a tentativa de se segurar mudou a rota da queda, seu tórax bateu em um imenso letreiro de neon preso abaixo da fachada, estilhaçando este e apagando-o parcialmente. Novamente tentou se segurar no que restava da propaganda luminosa, só que diferente do que era para ser, seus movimentos não eram treinados, muito menos programados, tudo fora feito no susto, e a letra se desprendeu do painel ficando em suas mãos enquanto caiu de novo.  Foi de encontro a algumas vigas de ferro antes de por fim despencar no ar novamente.  As costas se colidiram com uma quantidade enorme de ferro, este que se retorcendo todo abaixo do corpo. Quando abriu novamente os olhos notou que o que amassou foram exaustores, um conjunto de ar condicionado e as pás de hélices que giram nos telhados das edificações – Algo que ela nunca descobriu até hoje para que serve. – indicando que suas tentativas desesperadas se causaram dor ao menos serviram para que caísse no terraço de algum edifício vizinho menor. Quem diria, a poluição visual e a falta de planejamento urbano que permitiu os prédios aglomerarem-se uns aos outros a salvou de uma queda fatal iminente.

Quando tentei me reergueer vi um rapaz albino quase da minha idade sentado do meu lado, seu nome era Roy, ele costuma alimentar as pombas que pousam no terraço do seu prédio.  Eu me pergunto antes de tudo… Que maluco cuida de pombos na chuva na madrugada, E AINDA POR CIMA SEM CAMISETA SÓ DE BERMUDA? Depois, quando ele falou comigo que eu notei que o coitadinho era digamos… Meio lesadinho das ideias,” lerdinho” como costumo dizer. Roy pareceu impressionado, eu também me impressionaria ao ver alguém despencar do céu.

paienl—— OBA! TÁ CHOVENDO MULHER! Moça. Você está bem? – Perguntou segurando uma pomba branca nas mãos.

—— Não como gostaria… Hnn… Acho que quebrei algo…  Qual é seu nome?  Respondeu e depois perguntou tocando a região esquerda das costelas.

—— Roy, meu nome Roy. Eu gosto de pombos, essa hora é tranquilo, então subo no telhado para cuidar deles. – Ele mostrava a pomba branca nas mãos.

—— Legal… Roy… É melhor você correr, sai daqui e procura ajuda… – Avisou se erguendo enquanto limpava a própria roupa com as mãos.

—— Por que? – Questionou acariciando a pomba.

—— Vai! Só faz o que te disse! 

Puxei do sobretudo o par de pistolas, uma delas estava completamente descarregada, chequei nos bolsos e para meu alivio havia munição reserva. Carreguei novamente a arma, joguei o pente vazio fora e coloquei o novo, é ao menos isso eu sei fazer… Não que me orgulhe mas quando fiz parte de uma gangue eu carregava a munição das armas, mas só isso. Roy arregalou os olhos e decidiu seguir minha dica.

—— OOW! Ok! Ok! Mas você não se apresentou, não sei seu nome ainda! – Interrompeu a corrida voltando dois passos para trás..

——  O meu é X-9. – Disse olhando para as pistolas.

—— Isso não é um nome. – Sorriu.

——  Mas é assim que me chamo, AGORA VAI! – Alertou fazendo sinal para descer, usando uma das armas como indicativo. 

Não quero ter mais sangue sujando minhas mãos, não mais o quanto deve. Esperei Roy descer as escadas  e apontei  o par de pistolas em direção ao terraço vizinho de onde cai. Eu não podia saber se aquele soldadinho ainda estava abalado pelo feixe de luz, para ser sincera eu nem sei se ele se abalou, de qualquer forma mandei bala na direção dele.

—— QUE SACO! MERDA, MERDA, MERDAAAA!!!

Quando entrei para uma gangue alguns anos atrás, a mesma que citei, teria me sido de grande valia também ter aprendido a atirar… Eu não consigo acreditar que gastei um pente inteiro na caixa d’água do terraços, estou frustrada demais com todos tantos erros por falta de experiência, acho que não sirvo para o trabalho. Um dia aprendo a usar esse alvo digital que surge nos meus olhos e se alinha com a pistola, enquanto isso vou improvisando. 

Distopia — Ato II — Entre atos e consequências

mesaUma hora e meia depois ela acorda do pós operatório, esta em cima de uma cama de metal suja, enferrujada e encardida com sangue velho coagulado. Os olhos não enxergam quase nada, a sala está escura, e também fede. O material cirúrgico foi jogado em um pote de vidro, bisturis e outros utensílios bizarros cortantes mergulhados em um liquido marrom opaco misto entre sangue, soro e pus. Provavelmente nada disso foi esterilizado antes da operação medica, há embalagens descartáveis espalhadas pelos cantos da sala.  A bem da verdade X-9 tem sorte de não ter morrido durante a cirurgia clandestina. Ela não se lembra da operação e pensa que é melhor assim. Alguns tubos e fios estão conectados em seu corpo, principalmente ao longo da extensão da sua coluna, braços e pernas aquilo dói, incomoda muito. Por alguma razão desconhecida está trajando uma roupa diferente, é da cor preta, calças e blusa justas. Ao primeiro comando  corpo não obedece. Na quarta tentativa ela consegue se erguer e sentar-se na beirada da cama. Sua cabeça ainda gira. Quando coloca os pés descalços no chão frio, a garota de moicano azul-lilás se sente pesada e não consegue ficar em pé, vai ao chão. Com receio de fazer algo errado ela arranca os fios e tubos conectados em sua pele, as costas reclamam. Depois ensaia os primeiros passos, como se tivesse de reaprender a caminhar. Mas isso é como andar de bicicleta, nunca se esquece, é questão de prática, precisando se segurar nas paredes X-9 finalmente ensaiar os primeiros passos, anda aos tropeços, é necessário apoiar o corpo em somente um dos lados. A hacker sai da sala escura e fedorenta mas não encontra ninguém, caminha por corredores sem sinal de vida, nem dos médicos e nem de seu colega. Vagando lentamente como um zumbi, arrastando bandagens enroladas no corpo, encontra um vestiário. Lá se desfaz dos trajes escuros e veste uma calça jeans, botas cano longo de cadarços e um sobretudo marrom que toma de um armário sem tranca. Saindo pela porta dos fundos do consultório, ainda chove muito forte, com o andar débil e pesado, aos trancos e barracos vai tropeçando em poças de água do beco.

O vento noturno carrega o cheiro imperceptível de violência e sujeira que somente ela sentia, fazia também o sobretudo  se agitar inquieto e inundava o beco com o vapor amarelado dos bueiros. A silhueta estática sob a chuva se mantinha assim sobre a fumaça fétida erguida do mormaço escaldante, meio atordoada pela sensibilidade dos novos sentidos, sons aleatórios surgem salpicando seus tímpanos até reconhecer de longe uma sirene que uivava ao longe e seus ouvidos reclamam. O corpo formiga com as suturas mau feitas de uma operação clandestina, incomoda, removeu as ataduras.

O trovão anunciou o pranto mais intenso da chuva e as lágrimas da tempestade escorreram pelo seu esguio rosto feminino, fechou os olhos tentando  purificar sua transição de humana para… Aquilo que acabou de se transformar não sabia bem o que era agora. Ainda de olhos fechados saboreou a chuva quente caindo sobre sua face, e apesar de parecer purificadora, as gotas da tempestade trazem fuligem cristalizada da poluição, a sujeira gruda aos fios de seu cabelo molhado. Retira as bandagens remanescentes de rosto e braços, ela é uma nova pessoa, este é seu novo nascimento.

 

 

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                ❝(…) Não existe como criar consciência sem dor.

As pessoas farão de tudo, não importa o quão absurdo seja, para evitar encarar a própria alma. 

                   Não nos tornamos iluminados apenas imaginando figuras de luz,

                                                  mas criando consciência da escuridão.❞ 

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Meu nome é Spectra Machine, á sua vista um humilde veterano de guerras, considerado “vilão” pelas vicissitudes e vestes do Império dos homens, o vigilante e o virtuoso que poucos conhecem, estou aqui, no suporte de uma escada de ferro a mais de uma hora com a chuva despencando pesadamente sobre a nuca a espreita de algo novo dentro daquele consultório sujo e vulgar,  então,  a garota que veio com o interrogado – Drone – aparece, saiu por uma porta dos fundos do prédio, estava diferente, postura cambaleante, ataduras pelo corpo e, sobretudo. Um corpo desfalecido foi atirado aos seus pés, uma figura bem familiar. Um laser vermelho cortou a escuridão do beco projetando-se no centro da testa da garota enquanto uma voz quebrou o silêncio.

—— Apenas quero simples respostas…  Anunciei o alerta calmamente. 

—— Para quem vocês trabalham e o que procuravam naquela empresa?  Minhas palavras modificadas por um dispositivo de voz parecia soar estranha nas entranhas daquele beco escuro.

Meu tom era desprovido de qualquer calor, mais frio que o cutelo de um açougueiro e a lamina de um assassino. Um simples movimento, e o meu visor vítreo carmesim e cromo reluziu diante de um raro facho de luz que revelou minha posição nas escadarias de um dos prédios. A resposta da garota seria crucial para determinar os eventos a seguir, senão seria apenas mais uma abatida pela flecha do destino,  já que sou aquele que pune as pessoas,  não por vaidade, pois um dia as consequências de meus atos ão de vindicar tudo o que fiz, talvez mais cedo, talvez mais tarde.

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—— DRONE! – Gritou tão alto que a voz ecoou pelas paredes encardidas do beco úmido. 

Foi assim que ela abriu os olhos, com o coração martelando o peito, enxergando o corpo atirado do colega. Privada de saber a condição do mesmo, a preocupação fez surgir nas lentes dos implantes oculares alguns gráficos ainda desconhecidos, mas que claramente denunciavam as atividades físicas do individuo jogado a sua frente. Batimento cardíaco, atividade cerebral respiração, pressão sanguínea entre tantas outras informações, incluindo a própria identidade do rapaz. Mas nada disso trouxe alivio, todos os gráficos de atividade física estavam zerados. Não precisava ter experiencia para entender o que significava.

—— VOCÊ O MATOU! VOCÊ MATOU ELE, MONSTRO! – Uma lágima solitária escorreu pela face, outras vieram depois, mas se perderam com a chuva. 

Ela o odiou por isso, mal teve tempo de pensar e a luz vermelha bateu em sua fronte, seguiu o rastro com o olhar e viu o culpado agindo sobre as trevas que envolviam o beco, posicionado na escadaria de um prédio. O mascarado proveria perguntas frias.

Foi só por isso então? Ele queria informações nossas, dos contratantes, dos mascarados, Drone não deve ter falado e matou o coitado… Não precisava ser assim… –  Modificadas por algum tipo de vocalizador que ocultava o real timbre, aquele artificio apesar de bem conhecido por X-9 trouxe um frio a sua espinha, o tom de voz alterado de certo modo era assustador, diferente de quando usava. Estilhaçada pelo medo, paralisou, não o respondeu, carregada pelo peso da situação opressora desejou que fosse atingida por um milagre, ou que aquela coisa que passou informações sobre o corpo morto do colega lhe desse uma solução do que fazer. Logo o luminoso de novos gráficos alfanuméricos surgiram nas lentes de seus olhos, como a tela de um video game.

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—— QUEQUIÉISSO??

Sua visão fora esclarecida, ativada novamente ela não era limitada, só estava levemente obstruída pela ausência do domínio do recurso, aprendendo ativá-la ficaria mais fácil usá-la outras vezes.  Agradeceu por isso.  – Eu não sei como fiz… Mas fiz… Aqui diz que tenho um implante neural de eletro-magnetismo… O cara veste uma armadura… Acho que posso usar… Mas de que jeito ativo essa coisa também? – Novas informações de como poderia ativar essa outra habilidade surgiram nas lentes, então ela seguiu as instruções; respirou fundo, manteve a calma, vislumbrou um insight e uma estranha energia que nunca havia sentido antes  passou por cada fibra do seu ser, como se uma combustão se propagasse por suas veias, e cada terminal nervoso sintético reagia a aquele poder. Instintivamente ergueu o braço para frente apontando para o estranho que a ameaçava e da palma da mão emitiu uma rajada invisível, uma onda magnética contra o inimigo. As peças da armadura passaram a repelir entre si com o desejo de se afastarem uma da outra, parte por parte. Apoiando-se nisso conseguiu responder de uma maneira mais convicta, abandonando a postura assustada.

—— Você mata meu colega e espera que eu te dê respostas? – A voz agora era firme e com raiva.

Julgava que seu oponente não passasse de um simples homem de baixo da armadura. Insegura quanto a nova condição física não quis arriscar, mas ao ínfimo movimento notou um peso nos bolsos do casaco e ao vasculhar descobriu que como “brinde” o mesmo vinha com um par de pistolas e alguns carregadores extras. Não hesitou, ergueu o braço que não fora usado e livremente apontou em direção as escadas. Sua visão interagiu com os mecanismos da pistola, se alinhou com a mira, já havia visto armas assim, miras virtuais chamadas de smartlinks onde a chance de acerto subia para 100%.

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—— Por essa acho que você nem esperava. Não precisava ter tirado a vida de Drone. Isso é por ele!!! – Falava com a arma e a mira apontadas para frente.

Porém também ainda não sabia fazer uso dessa propriedade e decidiu não perder tempo e nem se tornar tão dependente do seu “manual de instruções” e  puxou o gatilho, descarregando o pente de balas todo na sua direção, da maneira “analógica” mesmo. Fogo e água juntos, se encontrando em um breve instante ao espetáculo de quando o dedo indicador faz o trágico movimento para trás.  –  Meu corpo tremia, dos pés a cabeça, tanto pela ansiedade e nervosismo quanto pela adrenalina, eu estava em um combate, querendo ou não. Talvez por isso os tiros tenham saído imprecisos, mas nada mau para uma novata, eu não tinha ilusão de que fosse terminar tudo em uma tacada só, seria muita sorte de principiante, e eu nunca fui alguém sortuda, por outro lado percebi que alguns dos disparos tinha acertado o alvo.  –  O som dos tiros deixaram a garota naquele instante com a sensação de dever cumprido,  trazia um sentimento reconfortante, não se culpava ou arrependia de se livrar daquele jeito cruel e de certa forma até injusto, em sua mente estava vingando Drone, tão pouco tinha medo de se tornar uma assassina, igual ao seu alvo.

tiros
Talvez, quem sabe só talvez, depois que esfriasse a cabeça o martírio viria a tona, por enquanto não. – Descobri que sangue quente e poder são componentes  são de uma mistura letal. Quem diria, logo eu, que algumas horas atrás estava na frente de uma tela de computador… Minha vida toda foi só isso, até hoje o máximo de risco que tive foi pegar um vírus no PC e a maior das preocupações era formatar a máquina no dia seguinte… É, as coisas mudam.

 

Distopia — Capítulo I — Ato I

Em algum lugar no tempo, numa cidade que pode ser a nossa, a violência urbana chega em níveis insustentáveis. Cada vez mais as gangues de rua se apoderam dos espaços públicos, fazendo de cada quarteirão o seu verdadeiro domínio de violência. Os representantes da lei já não controlam mais a situação. É neste cenário caótico que megacorporações tomaram o poder público para si, sendo mais poderosos e decisivos que  qualquer representante politico e Governos. Empresas mantém sua segurança e a da população com verdadeiros exércitos privados. Por outro lado, buscando qualquer tipo de vantagem sobre seus concorrentes utilizam de serviços mercenários para roubos de dados e espionagem industrial sem que levante suspeitas. A história fala de um desses grupos, em especifico, de uma integrante que logo ficará conhecida nas ruas e nos bancos de dados virtuais como X-9.

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ROOF

Ambiente escuro, enfumaçado, os fachos de luz, como refletores que espreitam algo ou alguém e movem-se sem parar de um lado ao outro incansavelmente entre os prédios aglomerados. As ruas sempre foram um lugar perigoso a noite, mas eles tinham uma conduta que parecia simples porém eficaz se fosse obedecida, nunca se metiam no território dos grandes predadores. A maior parte do tempo agiam em áreas que não pertencessem a nenhuma gangue, a mega-cidade oferecia inúmeras possibilidades, tinha lugar para todos. Embora a algum tempo isto vinha mudando, estava difícil encontrar uma região que já não tivesse dono. Estas pessoas que sobrevivem arriscando a vida na madrugada nunca se tratam pelo verdadeiro nome, sempre por pseudônimos. Estes são chamadas de Samurais Urbanos, freelancers que ganham a vida roubando informações e ou fazendo os serviços mais arriscados que ninguém quer. Quase sempre precisam de alguém por fora sendo seus olhos e ouvidos, por isso agem com um hacker. Eles mantem contato  em algum terminal de acesso, esse hacker que esta em outro local, invade o sistema de segurança da empresa, os Samurais Urbanos entram no prédio, roubam o que precisam e vão embora.

terminalOs prédios escuros de art-deco projetam sombras sobre as calçadas dos terminais de acesso, criando pontos cegos nas câmeras das ruas, e como a maior parte do tempo chove, contribui para manter as identidades ocultas. Os terminais de acesso, monólitos de metal, telas de LED e circuitos, dispõe-se espalhados pelas esquinas. Inicialmente deveriam ser usados como oráculos eletrônicos para a população, no entanto por terem IDs e IPs rotativos são a chave preferencial de hackers como X-9. É um trabalho organizado em equipe, PeeBoy com sua arma faz vigília nas sombras do beco para a novata entrar em contato com X-9 por meio do terminal invadido, feito isso a hacker consegue acesso ao sistema do prédio da megacorporação e desativa sua segurança informatizada e os avisa. Neste caso, é a a própria novata que fica a cargo da comunicação intermediária entre o grupo e o hacker, enquanto os demais tem atividades mais complexas.

——  Desbloqueei as tranças eletrônicas das portas, desativei os alarmes. Para nossa sorte toda a segurança da empresa é feita por androides e desativei eles também. Os arquivos em papel estão no ultimo andar. Deixei os elevadores ativos para subirem mais rápido. Vocês tem dez minutos para pegar o fichário destas pastas e saírem do prédio. É tempo mais do que suficiente.  A voz soava  oculta através dos pontos eletrônicos em seus ouvidos.

Pronto, o caminho esta livre para os Samurais Urbanos entrarem na empresa sem preocupação.  X-9 deixa apenas as câmeras em atividade, mas passando imagens repetidas dos corredores vazios do prédios, enquanto  hackeia e transfere as imagens reais para seus tantos servidores piratas. Assim pelos inúmeros  monitores que dispõe a frente de sua mesa, observa a ação dos colegas e se comunica via ponto em seus ouvidos.

—— Peguem o que o cliente pediu e caíam fora. – Repetiu, o timbre metalizada indicava que a distorção era para a voz não ser reconhecida.

—— Espera, tem algo aqui vai dar um bom extra. Esse cofre deve ter grana. Que idiota ainda usa cédula? Não que eu me importe, dinheiro é dinheiro. – Falava tateando um cofre verde musgo embutido na parede da sala.

—— Eu falei pra sair! Sua função unicamente é manter contato comigo e avisar a equipe, não roubar cofres. – Tornou a lembrar a voz de timbre metálico.

—— O pessoal está procurando os fichários, eu posso pegar o dinheiro enquanto isso, o sistema de segurança está desativado, a porta do cofre não pede senha, vai ser rápido. – Calmamente abria a porta do mesmo.

—— Mas eu não sei quanto tempo ainda consigo manter ele desativado! 

—— Tu consegue, falou uma vez que trabalhou nessa empresa e fabricou o software. – A novata pegava as notas em abundância, esboçando um sorriso de ponta a ponta no rosto. Parecia hipnotizada com o dinheiro.

——  Sai dai, porra! Tem mais alguém com vocês! Avisa o grupo! – Alertou gritando.

A  parede do cofre explode, o concreto vai abaixo, a  força joga os cinco Samurais Urbanos para o alto. Chove cédulas na sala, infelizmente nem todos tem a classe e silêncios deles, algumas pessoas preferem explosivos. Quando a poeira do concreto baixa eles veem as quatro mascaras de palhaço. A família Souuchii que se converteu em uma gangue estava no comando daquela área, foram contratados por mais alguém interessado naqueles arquivos. A empresa optou por fichários de papel para não ser vitima de hackers, mas isso não protege de  vândalos como os palhaços.

clowns

Eles nunca dizem nada, não falam quando estão trabalhando, o pai, o palhaço gordo apenas faz sinal com a cabeça e os filhos entendem. Contra machados e porretes com pregos os Samurais Urbanos não tem chance. PeeBoy tenta disparar a arma, mas antes de conseguir puxar o gatilho um machado atravessa seu peito espalhando sangue na lente da câmera que servia de olhos para X-9  e antes de perder o contato definitivo com seu grupo ouve um zunido de lamina pesada fatiando algo vivo, carne sendo dilacerada e ossos se partindo, resultando em um grito de agonia. O som se silencia, a imagem do monitor se apaga com o golpe de machado na lente. X-9 tenta não se desesperar, seu desespero não vai ajudar nessa hora mas pensar com racionalidade sim. Então se lembra dos  servidores seguros, faz uma chamada para a pulseira holográfica de Duncan. O material de metal se desenrola do pulso do mesmo, levantando um display de três polegadas.  Receoso o colega aceita a chamada, a tela holográfica projeta no vazio a imagem 3D  no link. Em vez de aparecer a imagem real de X-9 um pequeno filme roda na pequena tela.

bou—— Eu vi as máscaras de palhaços…  A novata vacilou, era para mantê-los avisados, o trabalho dela era só esse… Vocês estão bem?

—— Agora é tarde pra pensar nisso.Eu, o Drone, Sasha estamos. Conseguimos nos esconder dos palhaços. A novata que queria roubar o cofre não sei…  A parede explodiu na cara dela mas acho que vai sobreviver. Já o PeeBoy…  – Lamentou coçando a nuca.

—— O que tem o PeeBoy?  

—— A coisa  tá feia pra o lado dele… Os palhaços fatiaram o cara… Tem sangue pra todo o lado. A Sasha  tem conhecimento em enfermagem… Mas nem assim tá conseguindo dar  conta dos ferimentos. – Duncan rodeava os dois, sem saber o que fazer. 

—— Levem ele pra um hospital! Porra!  – A voz se tornou ainda mais metalizada em timbre alto.

—— Ficou maluca? A policia só não chegou ainda por causa dos alarmes desativados. Mas se formos a um hospital vamos ser presos.  –  Dizia Duncan caminhando apreensivo de um lado a outro.

—— É verdade! Tinha esquecido, essa situação toda tirou meu foco…  vocês tem pouco tempo, cinco minutos no máximo, depois os alarmes vão tocar, os androides voltarão a ativa e as portas se trancarão! Levem o PeeBoy e a novata como puderem, desçam o elevador e vão para o estacionamento. Quando destravei a segurança do prédio isso abrangeu todos os bens da empresa, incluindo as trancas dos carros. Peguem um, saiam rápido enquanto passo o endereço de uma clínica clandestina próxima. 

——  Ok, mas será que da tempo? – Parou no meio da sala, falando com a pulseira e o braço erguido para frente. 

—— Só vai saber se começar a se mexer. Vai logo!

Sabendo  que não pode fazer muito sem ser torcer para que dê certo, quando eles chegam a clinica X-9 hackeia as câmeras da sala de operação e vê a situação critica de PeeBoy. Ele foi praticamente feito em pedaços. Onde seu corpo foi aberto há uma quantidade absurda de tubos e aparelhos ligados que ela não faz ideia para que servem, alguns drenam sangue, outros mantém sua respiração, e tem alguns que despejam um tipo de remédio. A máquina que registra os batimentos cardíacos mostra um sinal vital fraco. OS cirurgiões correm contra o tempo  tentando como pode fazer de tudo para salva-lo. Usam técnicas novas de cirurgia, e é a parte mais chocante, onde ela presencia o cérebro exposto.

PeeBoyfudido

Ela desliga a transmissão quando vê aquilo,  o estado dele é  preocupante e pondera que só um milagre o salvaria, se sobreviver, terá de viver pelo resto da vida com próteses e nunca mais será o mesmo. Ela então abre o link do servidor seguro para a pulseira holográfica de Drone.

—— Drone… Eu não sei… Mas o estado do PeeBoy é muito sério… 

—— Mas… Não se desespera… Tenta não perder a calma, tenha fé. – Drone estava sentado na sala de espera, em uma sequencia de bancos vazios.


—— Fé… Fé nunca me trouxe nada…  Recebi uma mensagem do nosso cliente… Ele disse que se não entregarmos os arquivos no prazo, vamos morrer.

—— Deve ser blefe.– Deduziu.

—— Não temos como saber.

—— O que tem em mente?

—— Nada muito claro. Hackear um androide, desenvolver um exoesqueleto a partir das suas partes…

—— Não temos muito tempo. Precisaríamos planejar isso muito, já vai amanhecer, teríamos de esperar a noite para agir e depois construir a armadura. Fora de cogitação. Precisa ser uma solução mais rápida. – Respondeu erguendo-se da cadeira.

—— Então vamos ser sinceros, algum de nos vai ter de sacrificar…

—— Onde quer chegar? 

—— Precisamos pagar essas operações e não vamos receber se não entregaremos os fichários que o cliente quer. E caso não seja blefe, também não temos opção, ele vai nos matar. Vamos escolher alguém para se submeter a uma operação de implantes de força e pegar de volta os arquivos dos palhaços.

—— Mas… Se não temos dinheiro como vamos bancar mais uma operação? E caso tivéssemos quem ia se submeter a essa loucura? – Caminhava pelo corredor. 

—— Relaxa que isso é o de menos… Partes humanas originais valem muito no mercado negro de órgãos, é só negociar, falar que trocamos as partes orgânicas por implantes. A cirurgia nem será cobrada. Quanto a quem vai topar a loucura, isso sim é o problema, PeeBoy  e a novata estão em coma. Sasha… Eu duvido que concorde em modificar o corpo, ela é muito vaidosa. Duncan é covarde demais. Resta você e eu.

—— Nesse caso… Vou eu… – Foi quase um lamento.

—— Não. Você tem família, esposa e filho.

—— Por isso mesmo, você não tem. Um dia vai querer ter filhos. – Ainda parecia um lamento.

—— Não… Não vou querer… – As palavras estavam carregadas de incerteza.

—— Não senti convicção. Pense bem. São  modificações irreversíveis. Sua vida toda vai mudar. – Foi até a rua para fumar um cigarro.

—— Já decidi, tremo de medo até de uma obturação dentária, mas eu sempre fui a fraca do grupo. Só na frente de uma tela batendo dedos num teclado.  Você me pega aqui de carro?

—— Sim. Só me responda, tá fazendo isso pelo PeeBoy, por todos nós, pela grana ou pelo seu orgulho? – Indagou soltando a fumaça debaixo de uma marquise, para se proteger da chuva. 
—— Por tudo. E mais um pouco. Se eu sobreviver ao processo dos implantes vou contratar mais pessoas para ampliar nosso raio de busca.
—— Qual foi a parte que tu não entendeu que não temos dinheiro? – Deu mais uma tragada no cigarro. 
—— Relaxa, confia em mim. Te passei meu endereço, vem me buscar antes que eu mude de ideia.

carronobeco

A chuva aumenta conforme a estranha madrugada avança, o carro estaciona em um beco sujo, úmido e entre uma fileira de seis  vigas industriais fixadas ao chão e a parede do beco um homem está tomando uma mulher na penumbra, ele está gemendo, ela chorando.“Não é da minha conta.” X-9  pensa, mas gostaria que fosse. “Eu iria agarrá-lo pelo pescoço, e espremer seus olhos para fora do rosto”. Não era uma pessoa violenta, mas sendo mulher aquilo a enojava. Ouviu um xingamento baixo, quase inaudível mas pesado, sujo e bruto seguido de um choro feminino igualmente quase imperceptível vindo daquela mesma direção e voltou a pensar; ”Se ignorarmos isso, estaremos sendo coniventes… “ Afastou o pensamento violento e vingativo entrando no consultório onde seus colegas estão internados, sabia que Drone e ela não eram fortes suficiente para enfrentar o molestador.

O CAÇADOR

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Horas antes, em um beco escuro de Zavist, tinha um corpo nu de uma jovem com a barriga dilacerada. Antes de ser morta ela foi violentada

Esta cidade é repugnante, eu vi sua face, as ruas, os becos, os prédios são estruturas dilatadas e estão impregnadas de sangue e lixo.

Quando tudo isto finalmente transbordar, todos os vermes da cidade vão se afogar.

A podridão de tanto sexo e matança vai espumar até a boca.

E todos os seres de Zavist vão olhar para cima, pedindo ajuda, e o destino algoz vai sussurrar:

Não!

Este mundo esta de cabeça para baixo, olhando para dentro do inferno.

Lá embaixo, nesta cidade horrível, gritam como matadouro cheio de seres retardados.

E a cidade fede em fornicação e consciências imundas.

Será que isso tem alguma importância?

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Naquela madrugada, na selva de pedra, o relógio predestinava  o ponteiro do tempo com precisão mecânica e calculista. Oculto na escuridão da noite chuvosa, um estereótipo de armadura escura forjada pelo medo dos homens e que flertava com o desejo de punição, estava na vigilância do seu próximo alvo, uma megacorporação. Em jogo não estava interesses monetários, não tinha espaço para essência mercenária, isso era futilidade do sistema iníquo. O alvo era os dados arquivados em pastas de forma arcaica para os novos tempos que continham informações importantes de indivíduos poderosos e um antigo projeto “CT-01” que remonta antes do conflito entre as nações e o tratado que fizeram.

As investidas contra o império dependiam desses dados. Um segundo interesse era a competição que a Liga dos Predadores tinha hoje a noite, colocando grande parte de seus novos integrantes em teste. Portanto meus objetivos eram dois. Com o toogle visor ativado, toda estrutura predial da empresa foi mapeada, os robôs de segurança, câmeras, etc. Mas alguma coisa estava errada, não era para ter pessoas no prédio. Meu toogle visor identificou nove indivíduos dentro da empresa, precisamente no último andar, onde estava meu objetivo. Definitivamente não parecia algo normal, até que uma explosão pode ser sentida e confirmou meu pressentimento. Meus planos acabavam de mudar, e a noite seria longa caçada.

Como um hábil caçador, observei as movimentações dos indivíduos, o primeiro grupo sumiu, eram quatro de mascaras, os outros cinco foram para o estacionamento. Minha atenção voltou-se para eles. Com o extreme speed ativado e circulando em minha corrente sanguínea, e com o toogle visor de apoio, persegui o carro que saiu em fuga da empresa, me articulando célere entre os aglomerados de prédios.

(…) O carro parou em frente de um prédio de porte médio, os cinco indivíduos entram rapidamente carregando dois feridos, então deduzi que aquele lugar era uma das várias clinicas clandestinas de Zavist. As expressões e postura agitadas de alguns dos indivíduos antes de entrar mostrava que algo deu muito errado. Um dos indivíduos saiu do prédio, e entrou no carro novamente e se foi. Tempo depois voltou, trazia uma garota de moicano azul-lilás.

Nas escadarias em “zig-zag” de um dos prédios no beco que dava acesso aos fundos da clinica clandestina, camuflado pela escuridão e pouca luz, permaneci inerte e paciente como um monge. Meus batimentos cardíacos eram suaves, não existia tensão, era apenas mais uma caçada por informações. Conforme a madrugada avançava, a chuva aumentou, foi quando decidi agir. Capturei um dos membros, por algum motivo que desconheço ele saiu do prédio como que se estivesse fugindo de algo, ou alguém. Não liguei, interroguei de forma violenta sobre o que ocorreu na invasão a megacorporação, perguntas como: quem eram os mascarados, o que procuravam e para quem trabalhavam, porém sem sucesso, algo o assustava mais do que eu, entretanto entendi que tem gente que prefere morrer pela causa.

Eterno retorno

 

Na órbita da estação espacial, o captador de Dyson devorava a luz solar nutrindo as veias da grande civilização. Os cientistas responsáveis pela sua manutenção eram poucos, e tão espalhados pela colossal circunferência, que nunca se viram antes.

Um deles via aos seus pés o abismo de calor e acima o vazio interminável. Há muito, ansiava pelo retorno ao seu planeta natal. Viajava a velocidade do som pelos trilhos em busca de fissuras. Então uma voz o alcançou e ordenou.

– Pare, pare!

Parou completamente seu veículo e olhou para os lados em busca da fonte da voz. Seria uma ilusão, pensou. Alguém veio por trás e varou seu peito com um objeto cortante, quente e cauterizante. Pode ver antes de morrer que era ele próprio com mais barba.

O homem removeu o traje procurou uma cicatriz. Nada. Entrou no veículo abandonado e saiu em busca do próximo.

WilburD.

Distopia#06 (Reboot)

Desaliviando os dedos envolta do pescoço, Doris soltou X-9 que desabou ao chão, depois a replicante se sentava em posição de lótus na chuva olhando para ela, tossindo sangue  e sem entender nada, a hacker tentava encontrar uma posição onde sua coluna parecesse menos emaranhada e achou ao apoiar as costas em um exaustor, com o corpo deitado. – Tá esperando o que… pra me mandar pra o Inferno? – Questionou-a, se contorcendo de dor – Sabe… eu sempre quis ser humana, até hoje. Mas depois que eu vi você, colocando sua especie em risco por um interesse pessoal, eu quis ser o que sempre fui. – Refletiu enquanto as gotas da chuva se acumulavam no rosto e escorriam desenhando o traço germânico  da face da replicante. – É… eu… julguei tanto você, e estava sendo mais humana do que eu… Você salvou o garoto, levou um tiro por ele e se preocupou com as pessoas isolando a luta no terraço da escola… enquanto eu… não me importei com ninguém além de mim mesma… – A garota baixou a cabeça, se não fosse a chuva a replicante veria as lagrimas escorrendo dos seus olhos. –  Me tornei o que mais detesto… – Doris se levantou, pegou a pistola, se ajoelhou diante a humana colocando a arma na mão dela e direcionou o cano contra sua tez. Surpresa X-9 não compreendia. – O que está fazendo?  – Te dando uma chance de escolha. Não sei porque você aceitou me caçar, mas deve ter seus motivos, por mais sombrios que sejam. Estou te dando a chance de completar o serviço. Ou, voltar a ser humana. – Doris voltava a fitar ela, sem medo da escolha que a humana tomasse. Ela porém tremula, mantinha o cano da arma sobre a testa da outra mulher, pensando, até que jogou a pistola para o lado. – Boa escolha, qual seu nome?X-9 – Foi a resposta. – Eu não me esquecerei deste dia, X-9, o dia que deixei minha vida nas mãos de uma humana e ela decidiu ser humana de novo. Aposto que você também não vai esquecer. Agora vá, mude de vida.

 

X-9 desceu as pressas as escadarias, correu o máximo que pode atravessando longos corredores brancos até cruzar o patio e chegar as vidraças quebradas por onde entrou. Caminhou bamba duas esquinas e dobrou os joelhos, exausta. Quando recuperou a consciência suas mãos estavam algemada no banco de trás do carro da policia. – A bela adormecida finalmente acordou. – Disse um policial. – Bela ou fera? – Zombou outro policial. – Eu posso explicar…Aah pode e vai. – Interrompeu o primeiro policial, girando a chave do carro, roncando o motor.  – E-eu não tenho advogados, quando chegarmos na delegacia eu posso ligar para alguém né? – Os dois policiais gargalharam, ela não entendeu nada. – Ora, é claro! – Duas ou três quadras a viatura entrou em um beco escuro e estacionou. – Chegamos na delegacia, princesa. – Retirada do carro o beco era afastado e escuro. – Isso só pode ser um tipo de brincadeira… – Foi quando o policial que dirigia bateu com força o cassetete no latão de entulhos ao seu lado, causando susto. – Parece que estou brincando? Olhe bem para mim, parece? – Com muito medo ela respondeu baixo. – Não…Ah, finalmente entendeu, princesa. Meu parceiro vai explicar sua situação. – O segundo policial caminhou até ela, falando agressivamente. – É o seguinte, encontramos a arma no seu casaco, você tem sangue, marcas de briga. As provas são claras.  Pague pelos danos a transtornos causados e a liberamos. Caso contrário será presa e sem direito a fiança.Pagar a vocês pelos danos causados na escola? Isso esta um pouco… errado… E vocês já estão me julgando e condenando sem ter um tribunal… – Antes de terminar ela levou um tapa no rosto que arrancou sangue. – Nós dizemos o que é certo ou errado! Nós condenamos e absolvemos. Onde o judiciário  não tem mais voz somos obrigados a fazer a lei. – Completou o segundo policial. – E por desacato a multa foi ampliada para… deixa ver… 300 mil Créditos.Mas eu não posso pagar!!!!  Hm….Não ha  nada que não seja negociável… Se for boazinha com nós dois a multa fica pela images (19)metade. Ahaha. – Falou o segundo policial abrindo o zíper da calça enquanto o primeiro a agarrava seus braços para trás. – SOCORRO!! – Gritou. – Pode gritar a vontade, ninguém vai te ouvir. E mesmo que ouça, o que farão contra dois policiais?  – Levou outro tapa, que a jogou entre um tonel que ardia em fogo e aos pés de uma sessão de seis vigas de aço industrial enfileiradas e chumbadas no solo em um lado e presa a uma parede na outra ponta que servia de sustento a um prédio do beco. O segundo policial abria o zíper também, um afastou suas pernas, o outro a imobilizou. Ela sentiu as costas contra o chão sujo e úmido, envolta  de embalagens plásticas descartáveis de fastfood e garrafas pets, um fio fino de suor escorreu por sua testa. Nesse ambiente hostil parou de gritar, desistiu de se remexer, exausta da surra no terraço, não havia mais força pra relutar. Os porcos riam e zombavam embaixo da chuva, ela apenas fechou os olhos e virou o rosto. – Policiais corruptos são meus favoritos! – A voz desconhecida antecedeu o estrondo do peso no capô do carro policial estacionado no beco.  A silhueta contra a luz amarela do poste impedia a identificação, mas pelas formas se via as curvas de uma mulher. Ela puxou pelo colarinho o policial que tentava entrar nas calça de X-9, e o jogou com facilidade para cima, apenas com um braço, golpeando-o ainda no ar com um soco o meio das suas costas. O policial se dobrou envolta do punho e o barulho de algo vivo se quebrando foi assustador. O homem não teve tempo de gemer e o corpo inerte caiu no teto da viatura, espatifando as sirenes. O outro soltou X-9 e tentou sacar a arma, por estar ajoelhado perdeu precisos segundos, que custou uma fileira de dentes. Não entendeu se o que levou foi um chute ou um murro, mas o que tenha sido deixou um rastro vermelho na parede de cartazes rasgados que balançavam ao vento. Depois foi pego com a mesma facilidade que o primeiro e jogado com violência contra as vigas de aço do beco. Esse gemeu mas o gemido foi logo abafado com uma mão de dedos finos envolvendo o pescoço. Apesar de finos eram fortes, ela aproximou seu rosto do homem e disse; – Leve seu namorado daqui e suma. Se eu ver vocês tentando  molestar ou violentar mais alguém por aí, não serei tão boazinha. Vaai! – E soltou o porco arremessando contra o capô. Ele seguiu a ordem sem dizer nada, juntou o colega adormecido para dentro do autómovel e bateu em retirada. – Você está bem, X-9, eles chegaram a fazer algo? –  As lagrimas quentes embaçavam a visão a ponto de não reconhecer o rosto, mas logo em seguida sua salvadora a ergueu e limpou seu rosto machucado.  – Doris… nunca pensei que ficaria tão feliz de te ver de novo…. e nem tão cedo… Tirando os dois tapas e o susto eles não fizeram mais nada não.Que bom. – Respondeu, mudando a voz, voltando ao timbre conhecido. – Por que me seguiu, e por que salvou quem tentou te matar? – Interrogou Doris. –  Você é uma boa pessoa, se fosse ruim teria atirado na minha cabeça lá no terraço da escola. Quanto ao te seguir, bem, você trabalha fornecendo informações, eu preciso de uma. – Qual?Quem é o cliente que te contratou para me matar? – Só fui instruída a ir a um prédio, de uma porta me deram essa arma, munição e suas informações, não existiu contato pessoal algum. Queria poder te ajudar, Doris. – Pensativa a replicante pensou por uns cinco segundos. – Na verdade você ainda pode. Me leve até esse prédio. E não se preocupe, pagarei pela informação.

Distopia#05 (Reboot)

A listra vermelha levava ao corredor das salas de aula e de trás de uma escadaria algo se moveu tão rapidamente que os cinco tiros seguintes foram tardios demais. O som ecoou pela escola e todos se perguntaram o que era aquilo. O alarme soou, não para a troca de período, aquele alarme servia como aviso de treinamento de incêndio. Os alunos e professores saíram as pressas das salas, formando filas pelos corredores, julgando ser mais um treinamento, mas quando viram a garota armada pelo corredor a confusão se formou. Doris foi obrigada a sair de seu esconderijo e quando sua algoz deu outro disparo no meio da correria dos alunos e professores a replicante levou um garoto ao chão para protegê-lo. A bala pegava de raspão no bíceps da Replicante. Resolvendo contra- atacar Doris saltou em direção a X-9 que teve o braço dobrado para o lado enquanto a replicante descarregava a arma jogando fora apenas o pente de munição. Aproveitou ainda pra jogar a garota dentro de uma sala vazia, batendo com as costas na parede e caindo ao chão. – Isso da fim aos disparos. – X-9 puxou de dentro do casaco outro refil de munição e carregou novamente a pistola, apontando para Doris na porta da sala. – Por sua causa essa munição sera cobrada!! – E disparou mais cinco vezes, a replicante conseguiu evitar os tiros protegendo-se contra a parede. As janelas do corredor despedaçando espalhou cacos pelo corredor. Por sorte a mira da jovem era ruim demais e não atingiu os alunos que ainda evacuavam a escola. – Para o terraço!  – Gritou Doris escondida atrás da parede. – Não vou fugir mais. Mas não atire de novo até chegar ao terraço. Promete? Certo! No terraço! – Tendo resposta a mulher de cabelo rosa subiu as escadarias correndo para chegar ao terraço da escola primeiro. Sem pressa X-9 subia logo depois, a replicante estava a espera como prometido e como um duelo dos filmes de western, elas ficavam a uma certa distância frente a frente. – Será que consegue disparar antes de eu te desarmar? – Perguntou Doris. – Pois tente. Antes, quais são suas últimas palavras? – X-9 devolveu a provocação apontando a arma para ela. – Vou ter bastante tempo pra te interrogar, não se preocupe. Vamos acabar logo com isso! – Terminando a frase Doris saltou par cima de X-9 que apertou o gatilho, entretanto a rapidez da replicante era superior e segurou seu braço, desviando para o lado e os tiros. – Eu disse que não teria tempo! – Falou a loira tentando mais uma vez puxar o cartucho da arma, no entanto X-9 se mostrou esperta desta vez e puxando o braço de volta evitou o desarme. – Desta vez não!tumblr_mt8frbyUtk1rk8qkho1_500Mesmo não permitindo que a inimiga repetisse o ato não pode evitar o soco no peito que a jogou do outro lado do terraço. Arfava desesperada por ar, sentindo o aroma metálico de sangue entre os dentes. Doris avançou de novo, X-9 adquirindo mais experiencia se ergueu a não hesitou em usar toda munição contra a investida do seu alvo. Doris como uma bailarina  prosseguiu avançando em zig zag evitando os projeteis e golpeou com uma brusca joelhada X-9 no estômago que a fez encurvar seu corpo para frente. A visão escureceu, um soco na lateral direita das costelas arrancou um urro de hacker, o segundo murro na parte direita arrancou mais sangue – Da próxima vez, mire na cabeça! – Alertou a oponente da garota segurando o seu pulso e torcendo com força, obrigando-a soltar a arma pela dor. A pistola caiu no piso.  Ainda assim não desistente armou os punhos fechados na altura do rosto sangrando, chamando Doris para a briga. – Vem… – A antagonista avançou novamente, despejando os punhos contra cada face do rosto da hacker, que tentou desviar sem sucesso. O contra ataque foi digno de pena,  X-9 tentou aplicar um soco, que Doris bloqueou com as mãos torcendo o braço  da oponente, aproveitando para jogá-la de rosto contra um exaustor. Ela se ergueu novamente e tentou atacar mais uma vez. – Você é persistente, admiro isso, pena que não é o bastante pra vencer essa briga. – A mulher  de cabelo rosa foi golpeada de surpresa na cabeça com uma peça que se desprendeu do exaustou, a, sabiamente quando se reergueu X-9 soube ocultá-la atrás do corpo, a barra de ferro encontrou s tez da replicante três vezes, abrindo ferimentos, a sequencia seguiu com um ataque da barra na diagonal contra suas pernas. As mesmas cederem e Doris caiu com a face para baixo. De baixo da intensa  chuva que desabava, ponderando ser o suficiente, X-9 prensou o rosto de Doris contra o chão com uma ultima pancada, e de todas a mais forte e violeta, a qual usava toda sua força, em humano ela teria feito uma sopa de miolos, na sua inimiga abriu um poderoso rasgo da testa até o queixo. Por fim cravou a barra no abdômen da outra mulher, o objeto atravessou seu corpo,ouviu-se cravando contra o solo do terraço. – X-9 em passos lentos foi até a arma caída, a juntou e voltou-se para Doris a uma certa distancia, apontando a arma engatilhada. – Na cabeça então? Obrigada pela dica. – A arma estava apontada mirando para a cabeça da outra. Em um ato brutal e insano, o alvo de X-9 envolveu os dedos na barra de ferro e com força puxou de seu corpo a estaca de metal banhada em escarlate dando um urro blood,lips,pale-9f7c1c01333f0d04773dbd1a7854734e_hdescomunal, animalesco, assustador que gelou o sangue e paralisou a inexperiente caçadora, obtendo essa razoável vantagem ela usa a própria barra para  acertar o cano da arma jogando-a para longe da vista, com a mesma rapidez voltou a ficar em pé, reagindo agressivamente, Doris tinha vinte quilos a mais do que X-9 e pelo visto todos nos punhos, os cinco socos seguintes abriam profundos cortes sobre o rosto, a garota reagiria se o mundo parasse de girar um pouco, por  fim segurou seu pescoço e ergueu suspendendo seus pés do chão, nesse instante Duncan abria link com ela. – Cara! Nem sabe, essa gata da Doris é uma replicante especialista em combate corpo a corpo! –  Com os dedos da mesma envolta do pescoço X-9 respondia com dificuldade. – Aerfg…. acho… que você me disse isso… tarde demais… erggh… – Doris fitava os olhos da humana bem de perto, com olhos demoníacos quando Duncan voltou a responder. – Você está encrencada, pegou um contrato que ninguém quer, porque será né? PERAÍ, PORQUE TARDE DEMAIS? –  Ao termino da mensagem de voz, recebeu cabeçada que quebrou o nariz frágil e o mundo escureceu.

 

 

 

Distopia#04 (Reboot)

Missão 01 – Terça- Feira a tarde. Na frente do Prédio 22

 

Aqui é a X-9. – Disse ela no interruptor da desgastada porta industrial. –  A X-9? você é mulher? – Questionou a voz eletrônica do interruptor. – Sou! O que isso tem haver? – Contestou irritada, abaixo da fina mas incessante chuva.  – Nada… Só quero ver no que isso vai dar…  Aqui está tudo que precisa. –  De um anexo retangular de ferro repleto de tubulações hidráulicas na vertical da porta, que foi claramente soldado após a instalação da mesma, um mecanismo se abre, ejetando para fora a pistola carregada e os dois cartuchos de munição reserva que caem dentro de um compartimento, X-9 rapidamente tratou de guardar os itens de baixo do sobretudo de couro antes que alguém pudesse ver. – E aqui a ficha da replicante. Boa sorte. – No compartimento caiu também um cartão que ela logo pegou. – Contesta meu nome mas quem ejeta armas e munição de uma porta? Vá entender né... – Dizia a si mesma. Nenhum contato pessoal fora feito mediante as instruções, de fato é um mundo de alta tecnologia e pouca empatia, um lugar não muito humano para se viver. Aquele cartão continha as informações do alvo, caminhando pela calçada suja, desviando das pessoas, do seu punho ela aciona a pulseira holográfica, projetando uma tela e teclados virtuais. Inseriu o cartão e as informações básicas apareceram na tela junto de uma foto. – Aqui está nossa amiga, Doris, tem sido vista perto da rua 25, só duas quadras. Hmm… então ela gosta de dar o ar da graça geralmente a tarde? Perfeito!! – Teclando no ar ela contatava Duncan. –  Sei que está aí, mesmo seu status desligado posso saber que está online. – Disse ela. – Agora pare de jogar com seus amigos de doze anos e me responda. – Droga… Esqueço as vezes que você é hacker. E aí, já matou seu replicante?É disso que quero tratar. Estou enviando uns arquivos, quero que pesquise sobre ela, a ficha é muito simples. – Enviou uma copia a ele.  –  Ela é uma replicante?Sim, gênero feminino… gênio…Opa, isso tá ficando interessante.Vê se não demora, estou no meu horário de intervalo e quero “aposentar” ela, pegar minha grana e voltar para o trabalho.Sim senhora, capitã. – Ela nem riu, estava encharcada, com pouca paciência e mal humorada. Andou com as mãos nos bolsos do sobretudo escuro por duas quadras de calçadas úmidas e lixo espalhado, era quase cinco da tarde mas o céu poluído e a chuva jogava os dias em eternas noites artificiais, mesmo com essa dificuldade visual reconheceu o rosto na multidão. – É ELA! –  Subiu em cima de um táxi para ter uma melhor visualização, o taxista ia protestar mas quando viu a pistola sendo sacada de baixo do sobretudo resolveu se calar. Ela destravou a arma, mirou e puxou o gatilho, o projetil acertou um letreiro de neon que se apagou depois do tiro, que também alarmou a multidão gerando tumulto e muito caos. – Merda, errei! – Praguejou, X-9 enquanto Doris olhou na direção do disparo, os estilhaços do neon cortaram a lateral direita do seu rosto que sangrava em grande profusão. X-9 deu outro tiro que parou na parede pichada atrás de 5c8a7a3ba5843e07ba722fff9b0bce0dDoris, esta  correu em meio a tumultuada multidão e se dispersou. A atiradora deu um salto do teto do táxi para a calçada, correndo entre gritos de histeria, precisava ser rápida antes que a policia chegasse. Os pingos de sangue no asfalto deixaram o rastro vermelho de Doris. – Então você sangra, sua desgraçada… – Concluiu seguindo o 4bb76c14dc0908a67af55ef2e584a148rastro até um beco estreito com mais luminosos, prostitutas e clientes, um lugar muito claro e movimentado para se esconder, então ela foi até o fim desde que desembocava em uma outra avenida. Cruzando a rua estava sua caça, ela corre, uma senhora vê á sua frente uma uma mulher  usando uma capa de chuva transparente correndo em sua direção. Ela se desvia do caminho e percebe que a mulher de cabelos rosa pink e visor luminoso está sendo seguida por uma moça portando uma arma. A moça armada atira, a senhora se joga no chão para se proteger enquanto a replicante abre caminho por uma janela de vidro, e depois outra, entrando em um prédio branco. Quando a atiradora chega perto o concreto do chão está cercado por vidro quebrado e sangue. A senhora que havia se jogado ao chão aproveita o intervalo dos tiro e foge. – Não… aqui… – Quebrando com a arma os cacos de vidro ainda preso na moldura da vidraça X-9 entra, falando a si mesma novamente. – Por favor…. aqui não… – O lugar se trata de uma escola, e pelo horário estava em funcionamento, embora não fosse isso que mais alarmava a jovem, e sim o fato de conhecia esta instituição. Caminhou em um ambiente calmo e organizado, a escola é tão boa que reúne estudantes da pré-escola, ensino fundamental e ensino médio, sem nenhum problema. Tudo em conta das rigorosas regras impostas pela direção e das dezenas de seguranças espalhados em cada canto. Assim como ela soube um dia, os alunos e seus pais tem consciência de que, qualquer descumprimento das normas acarretará em sua expulsão e uma multa salgada. A escola é ampla, possui um imenso prédio branco asséptico envidraçado, que abriga em cada andar uma série escolar. Os alunos usam computadores e cada um tem o seu próprio tablet. Os professores usam hologramas no lugar da lousa. O colégio de primeira linha nem parecia pertencer aquela cidade. X-9 ganhou a alguns anos atrás uma bolsa de estudos depois que uma megacorporação selecionou um grupo de crianças do orfanato onde vivia, lembrava destes dias da sua infância ao mesmo tempo que deitava os olhos sobre o rastro escarlate impresso na imensidão branca do piso do saguão, as memórias brincavam com suas emoções.

Distopia#03 (Reboot)

A noite, naquele mesmo dia, na casa de Sasha e Duncan.

 

Quem aquele velho filho da puta pensa quem é? Eu fiquei seis meses fazendo aquele software! Seis meses sem sair, seis meses na frente do computador! Eu vou foder com a vida desse velho! Vou mesmo  vender mesmo as informações que tenho sobre como ele cuida dos negocios!! – Sasha mais uma vez tentava acalmar a amiga, mas estava realmente difícil. – Melhor não…Não tente dizer que eu não me sentirei melhor fazendo isso por que eu me sentirei! Não ia dizer isso… Ia perguntar se vai resolver. Aaah vaai! A menos que você saiba como vou conseguir 120 mil Créditos até Sabado. Eu vou triplicar as operações de implantes e … – Pffff!!  Cai na real! Essa era minha última esperança. Eu ganho pouco, Duncan tá desempregado e você precisaria socar implantes em metade da cidade pra conseguir 120 mil!!!Eu posso… –  E quer saber? Pra me safar eu tenho que ferrar a vida de outras pessoas com essas porcarias? – Não mesmo! Prefiro ferrar a vida daquele velho!Só estou dizendo que… –  E não vem me dizer que isso não é digno! Meu meio de conseguir a grana é mais digna que a sua que cria vícios nas pessoas! – Sasha se calou mordendo o lábio inferior, enchendo os olhos de lágrimas correu para o quarto. – Acho que você pegou meio pesado… – Alertou Duncan.- Alguém precisava dizer a verdade.Ela só estava tentando ajudar. -Duncan pensou em dizer algo mas a amiga foi mais rápida. – Vai também me dar lição de moral? Não-não, e-eu não. – Respondeu gaguejando. – Que bom, porque estaria perdendo seu tempo. Agora me empreste seu computador, huh?

 

Madrugada de Segunda para Terça-Feira, 02:22 pm.

Quanto conseguimos?_20150702_041514 Perguntou Duncan. – Vendendo na rede os relatórios dos humanos modificados, Andros,  implantes cibernéticos e dos Necroids… 60 mil créditos. – Respondeu ela verificando o sistema ao mover os arquivos suspenso a sua frente em placas holograficamente visuais. – Uau! Tudo isso e é recém Terça! – Comemorou o francês. – É, mas ainda não é tudo. – Lembrou. –  Ainda falta a metade. E do jeito que está a coisa… Não tenho mais informações para por a venda. – Duncan encolheu os ombros sem saber o que dizer. Ela prosseguiu. – Sabe o que me chamou a atenção? Todos os relatórios foram vendidos ao mesmo comprador.E o que tem de ruim nisso? – Indagou Duncan. – Muita informação importante nas mãos de uma só pessoa pode ser perigoso… – Perigoso é dono da Neon Noir! – A garota riu, bizarramente seu amigo estava certo. –  Não sei mais o que fazer... – Confessou ela. – Ainda tenho mais 60 mil créditos para conseguir. – Duncan em pé passava a mão pelos cabelos descoloridos, pensando em algo para a ajuda-la, foi então que do monitor virtual um dialogo saltou da tela holográfica.

 

T: Foi você que vendeu os relatórios das megacorporações?

 

Eu – Sim.

 

T: Você faz outros serviços ou apenas vende informações?

 

Eu: Depende quais serviços são esses.

 

T: Eliminar replicantes. Pago 150 créditos.

 

Ela olhou para Duncan, que assustado fez um sinal de negativo. Ela respondeu digitando.

 

Eu: Sim.

 

T: Excelente! Tem arma própria?

 

Eu: Não.

 

T: Mas que tipo de prestador de serviços é você? Tudo bem, eu empresto a arma, mas o aluguel e a munição serão descontados do seu preço.

 

Eu: Certo.

 

T: Passe na avenida 29 no prédio 32 as quatro da tarde. Cederei a arma carregada, e mais dois cartuchos de munição reserva que serão descontados apenas se usar. Também passarei mais informações sobre o replicante. Até breve, e não se atrase.

 

Eu: Ok.

 

T: Qual seu nome?  Não o real, o apelido que usa para negócios.

 

Ela demorou a digitar, pensou em algum mas todos pareciam idiotas demais. Então lembrou da conversa na Neon Noir e a dica de Duncan, tudo parecia fazer sentido, digitou;

 

Eu: X-9

 

T: Que tipo de apelido é esse? Não importa. Me preocupo que complete o serviço. Até amanhã, X-9.

 

Terminando a comunicação Duncan chacoalhou a amiga pelos ombros. – Você tá doida?Estaria doida se não aceitasse o serviço. São 150 mil créditos, com o que já tenho cobre a divida e ainda me sobra! –  Falou, se libertando a força. – Mas você vai tirar a vida de uma pessoa!!De um replicante. – corrigiu. – Todo mundo sabe que replicantes são apenas formas robóticas orgânicas. São artificiais, não tem alma. E pelo que saiba não tem nenhum lei que impeça de matar uma forma orgânica robótica. Acho que isso nem se configura como “matar” e sim “aposentar”. – Duncan olhou sério, dizendo. – Tudo bem, supondo que esteja certa… Você nunca atirou, nunca pegou numa arma. Como vai caçar esse replicante?Não deve ser difícil. Só preciso me preocupar em não desperdiçar muita munição para não ser descontada.Você está só preocupada com o dinheiro, ok se você quer se matar não conte comigo. – Saiu do quarto de hospede mas parou na porta a pedido da garota. – Duncan… Não conta nada para a Sasha ok? – Duncan não disse nada, apenas saiu de vez do quarto. –

 

[Saldo atual:Ç$O  60,000  [Sessenta mil Créditos online]